sábado, 22 de outubro de 2016

Borboletas em Arraial

Na igreja de Arraial d´ajuda, sul da Bahia, na parte de trás, acima da encosta, de frente pros coqueiros e pro mar, eu e Zezé (tio), fim de tarde, passou uma borboleta; eu ou ele a pegamos com os dedos em pinça, soltamos segundos depois. Ele disse que uma borboleta vivia muito pouco, um ou poucos dias, e que não era justo prendê-la; que pelo pouco tempo de vida, dez segundos presa nos nossos dedos era muito tempo pra ela; e daí resolvemos calcular o que seriam esses dez segundos em tempo de vida humana. Não me lembro se chegamos a algum resultado numérico. Rimos. Rimos muito. A borboleta circulava à volta; tentamos equiparar as 24 horas da vida da borboleta a uma média de 70 anos de vida humana; falamos de como tudo era efêmero; discutimos se a borboleta teria alguma noção sobre a brevidade da sua vida; e se a noção de tempo da borboleta era diferente da nossa, se ela encarava um dia como nós os 70 anos; se ela sentiria a velhice ou algo parecido. Lembro apenas da conclusão principal do papo que durou não sei quanto tempo, estava escuro quando levantamos: era uma puta sacanagem segurar as borboletas, pelo tempo que fosse.   

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