sábado, 6 de junho de 2026

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Se você gosta de cinema brasileiro, Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, é uma obra indispensável. Lançado em 1964, o filme é um dos maiores marcos do Cinema Novo e uma das produções mais importantes da história do cinema nacional — frequentemente reconhecido também como uma referência do cinema mundial. Acompanhando a trajetória de Manuel e Rosa pelo sertão nordestino, o filme mistura religião, política, violência, messianismo e luta social em uma narrativa poderosa e visualmente inesquecível. Com fotografia marcante, trilha memorável e uma linguagem cinematográfica inovadora, Glauber Rocha criou uma obra que continua atual e provocadora mais de seis décadas depois. 📺 O filme está disponível gratuitamente no streaming do @TelaBrasil. Uma ótima oportunidade para conhecer ou revisitar esse clássico fundamental da cultura brasileira. 🎥 Nos próximos dias, vou continuar explorando o catálogo do @TelaBrasil e trazendo mais indicações de filmes disponíveis na plataforma.

Michael e 2 Filhos de Francisco: duas histórias, uma reflexão

Assistindo a Michael, cinebiografia de Michael Jackson, é difícil não lembrar de 2 Filhos de Francisco. Guardadas todas as diferenças entre as histórias, os dois filmes mostram pais que apostaram tudo no talento dos filhos e fizeram da música um projeto de vida. A comparação também levanta uma questão importante: até que ponto o incentivo ajuda a construir um artista e quando a pressão passa a cobrar um preço alto demais? No caso de Michael, os relatos sobre a relação com o pai são conhecidos e controversos. Já Francisco ficou marcado pela persistência e pelos sacrifícios para transformar o sonho dos filhos em realidade. No fim, os dois filmes vão muito além do sucesso musical. São histórias sobre família, ambição, sacrifício e os bastidores, nem sempre visíveis, da construção de grandes estrelas. 🎥 Vale a pena assistir aos dois e pensar sobre o que existe por trás dos aplausos.

O Que É Isso, Companheiro? no Tela Brasil

Se você gosta de cinema brasileiro e de obras que ajudam a refletir sobre a história recente do país, vale muito a pena assistir O Que É Isso, Companheiro?. O filme é baseado no livro autobiográfico O Que É Isso, Companheiro?, de Fernando Gabeira, que relata experiências da luta contra a ditadura civil-militar brasileira. A trama acompanha o sequestro do embaixador norte-americano em 1969 por grupos de resistência ao regime, explorando os dilemas políticos, éticos e humanos daquele período. Sem abrir mão da tensão dramática, o filme convida à reflexão sobre autoritarismo, democracia e memória. O elenco é excelente, com destaque para Fernanda Torres, além de grandes nomes do cinema nacional. A direção de Bruno Barreto constrói uma narrativa envolvente e acessível, mesmo para quem não conhece profundamente o contexto histórico. Uma ótima porta de entrada para quem deseja conhecer melhor esse capítulo da história brasileira — e, depois, mergulhar no livro que inspirou a adaptação. O melhor: o filme está disponível gratuitamente na plataforma Tela Brasil.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Dica cultural: Tela Brasil

Uma excelente iniciativa para quem gosta de cinema: o Tela Brasil, novo streaming gratuito que disponibiliza filmes brasileiros de diferentes épocas, estilos e regiões do país. Em tempos em que o acesso à cultura muitas vezes depende de assinaturas cada vez mais caras, é muito positivo ver uma plataforma pública ampliando o acesso ao cinema nacional e valorizando a nossa produção audiovisual. Já comecei a explorar o catálogo e, nos próximos dias, vou fazer indicações de filmes disponíveis na plataforma, comentando obras, diretores e produções que valem a pena conhecer (ou revisitar). Mais cinema brasileiro, mais cultura acessível e mais oportunidades para descobrirmos histórias que ajudam a compreender quem somos. 📽️ Viva o cinema nacional! https://telabrasil.cultura.gov.br/

As Câmeras por trás dos Muros e das Grades: quatro filmes e uma série sobre cadeia

Se você achou a quarentena difícil, e foi mesmo, imagine ficar preso, cadeia mesmo? Nosso sistema prisional é falido, ineficiente, ineficaz para ressocialização. Mas há filmes muito bons sobre o tema, que mostram a realidade dura lá dentro, por trás dos muros. O meu preferido é Carandiru (2003), baseado no livro do Drauzio Varella e dirigido por Héctor Babenco. Eu já adorava o livro e o filme é uma adaptação muito bem realizada, com um elenco incrível: Milton Gonçalves, Wagner Moura, Rodrigo Santoro, Sabotage, Maria Luisa Mendonça, Ailton Graça, entre outros. Uma visão humana e uma denúncia necessária. Um Sonho de Liberdade (1994), baseado em um romance de Stephen King, também é muito bom e vale a pena conferir. Assim como Fuga de Alcatraz (1979), com Clint Eastwood, e Papillon (1973), este último tem uma versão mais recente, mas ainda não vi e por isso prefiro recomendar a antiga. E, pra fechar, indico uma série da Netflix: Orange is The New Black, que teve 7 temporadas, a partir de 2013. Li o livro, e a série vai além, desenvolvendo personagens incríveis, sempre com foco nas prisões femininas. Trata de muitos temas relevantes, como privatização, violência, racismo, abuso, desigualdade, sem perder de vista aspectos universais como amor, amizade, superação.

Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex

Poucos livros me causaram tanto impacto quanto Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex. A obra reconstrói a história do Hospital Colônia de Barbacena, instituição psiquiátrica onde milhares de pessoas morreram em condições desumanas ao longo do século XX. O mais chocante é perceber que muitas das vítimas sequer tinham transtornos mentais: eram mulheres consideradas "inconvenientes", pessoas pobres, homossexuais, alcoólatras, órfãos e tantos outros que simplesmente não se encaixavam nos padrões da época. Com uma pesquisa rigorosa e relatos devastadores, Daniela Arbex revela uma das páginas mais sombrias da história brasileira. É uma leitura dura, triste e muitas vezes revoltante, mas também necessária. Um livro que nos obriga a refletir sobre dignidade humana, exclusão social, preconceito e memória. Li o livro e recomendo fortemente. É daqueles trabalhos jornalísticos que permanecem com o leitor muito tempo depois da última página. A obra também ganhou um documentário homônimo, disponível na Netflix. Ainda não assisti à adaptação, então não posso indicá-la com a mesma convicção com que indico o livro. Mas fica a sugestão para quem quiser conhecer essa história também em formato audiovisual. Uma leitura dolorosa, profunda e indispensável para entender um dos capítulos mais vergonhosos da história brasileira, ainda mais em tempos de luta antimanicomial.

Indicação de Filme: Nós (Us), de Jordan Peele

A trama acompanha uma família que, durante uma viagem de férias, é confrontada por versões idênticas de si mesma. A partir dessa premissa aparentemente simples, Peele constrói um suspense psicológico carregado de metáforas sobre identidade, desigualdade, pertencimento e as partes de nós mesmos que preferimos ignorar. Mais do que um filme de terror, Nós questiona quem somos e qual é o nosso lugar no mundo. O encontro com o "duplo" funciona como um espelho perturbador: até que ponto nossa identidade é resultado de nossas escolhas e até que ponto ela depende das circunstâncias em que fomos colocados? Com uma atuação memorável de Lupita Nyong'o, direção precisa e múltiplas camadas de interpretação, o filme permanece na mente muito depois dos créditos finais. Assim como em Corra!, Jordan Peele utiliza os elementos do gênero para discutir questões sociais e humanas profundas, transformando entretenimento em reflexão. 🎥 Nós é um filme para quem gosta de suspense inteligente, simbolismos e histórias que desafiam respostas fáceis. Uma obra perturbadora, original e essencial para compreender por que Jordan Peele se tornou um dos cineastas mais importantes de sua geração.
Depois do impactante Corra!, o diretor e roteirista Jordan Peele confirmou seu talento com Nós (Us), um dos filmes mais inquietantes e simbólicos do cinema recente.