ecos prosaicos
Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
domingo, 7 de junho de 2026
Indicação de leitura: Visita Cruel do Tempo, de Jennifer Egan
Poucos livros conseguem falar sobre o tempo de forma tão original quanto Visita Cruel do Tempo. Vencedor do Prêmio Pulitzer, o romance de Jennifer Egan reúne personagens cujas histórias se cruzam ao longo dos anos, formando um mosaico fascinante sobre memória, envelhecimento, escolhas, perdas e transformações.
A narrativa é construída por múltiplas vozes e pontos de vista, em capítulos que parecem independentes, mas que aos poucos revelam conexões surpreendentes. É uma leitura que desafia o leitor, exigindo atenção e entrega, mas que recompensa com uma experiência literária rica e inesquecível.
A música está no coração da obra. Entre produtores, músicos, fãs e sonhadores, o livro mergulha no universo do rock, da cultura pop e dos excessos, explorando temas como arte, fama, amizade e identidade. Em certo sentido, é um romance sobre sexo, drogas, rock and roll e literatura, mas também sobre aquilo que o tempo leva — e aquilo que ele deixa para trás.
Uma obra inventiva, emocionante e profundamente humana. Recomendada para quem gosta de narrativas ousadas e de livros que permanecem ecoando muito depois da última página.
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Indicação de Filme: Ilha das Flores (1989)
Se você ainda não assistiu a Ilha das Flores, de Jorge Furtado, vale separar apenas 13 minutos do seu dia para conhecer uma das obras mais marcantes do cinema brasileiro.
Com uma narrativa rápida, inteligente e irônica, o curta acompanha o caminho de um tomate desde a plantação até o lixo, revelando de forma contundente as desigualdades sociais, a lógica do consumo e as contradições de uma sociedade em que a dignidade humana muitas vezes vale menos do que mercadorias.
Lançado em 1989, Ilha das Flores continua atual e necessário. É um filme que provoca reflexão sem perder o humor ácido e a criatividade narrativa, mostrando como o cinema pode ser ao mesmo tempo acessível, crítico e transformador.
📺 Disponível gratuitamente no Tela Brasil.
Vou continuar explorando o catálogo do Tela Brasil e trazendo indicações de filmes brasileiros que merecem ser vistos e revisitados.
🎥 Filme: Ilha das Flores
🎬 Direção: Jorge Furtado
📅 Ano: 1989
📍 Onde assistir: Tela Brasil (gratuito)
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sábado, 6 de junho de 2026
Quase Dois Irmãos (2004)
Seguindo minha exploração do catálogo gratuito do Tela Brasil, hoje a dica é Quase Dois Irmãos, dirigido por Lúcia Murat.
O filme acompanha a amizade de Miguel e Jorge ao longo de décadas, cruzando diferentes classes sociais, visões políticas e experiências de vida. A narrativa passa pela prisão da Ilha Grande durante a ditadura militar e mostra como o contato entre presos políticos e presos comuns ajudou a moldar dinâmicas que mais tarde influenciariam o surgimento de organizações criminosas no Rio de Janeiro.
Mais do que um filme sobre crime, é uma obra sobre desigualdade social, racismo, exclusão e os caminhos distintos que a sociedade brasileira impõe a pessoas que, em algum momento, compartilharam sonhos e amizades.
Um drama inteligente, provocador e extremamente atual. Vale muito a pena assistir e refletir.
📺 Disponível gratuitamente no Tela Brasil.
Nos próximos dias, continuo explorando o catálogo da plataforma e trazendo mais indicações de filmes brasileiros que merecem ser vistos. 🇧🇷🎥
Olga (2004)
Hoje a dica é Olga, que aparece entre os filmes mais assistidos do momento no Tela Brasil.
Dirigido por Jayme Monjardim e baseado no livro de Fernando Morais, o filme conta a história de Olga Benário, militante comunista alemã que veio ao Brasil ao lado de Luiz Carlos Prestes e acabou se tornando uma das figuras mais marcantes da história política do século XX.
Com atuações de destaque de Camila Morgado e Caco Ciocler, o longa aborda amor, militância política, perseguição e resistência em um dos períodos mais turbulentos da história brasileira e mundial. É uma obra emocionante que também provoca reflexões sobre autoritarismo, direitos humanos e memória histórica.
Vale a pena conferir não apenas pela qualidade cinematográfica, mas também pela importância de conhecer essa trajetória tão marcante.
E aproveito para destacar o Tela Brasil, plataforma gratuita que reúne grandes títulos do cinema nacional. Nos próximos dias, continuarei explorando o catálogo e trazendo novas indicações de filmes para quem gosta de cinema brasileiro.
🍿 Já assistiu Olga? O que achou dessa importante obra do nosso cinema?
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
Se você gosta de cinema brasileiro, Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, é uma obra indispensável. Lançado em 1964, o filme é um dos maiores marcos do Cinema Novo e uma das produções mais importantes da história do cinema nacional — frequentemente reconhecido também como uma referência do cinema mundial.
Acompanhando a trajetória de Manuel e Rosa pelo sertão nordestino, o filme mistura religião, política, violência, messianismo e luta social em uma narrativa poderosa e visualmente inesquecível. Com fotografia marcante, trilha memorável e uma linguagem cinematográfica inovadora, Glauber Rocha criou uma obra que continua atual e provocadora mais de seis décadas depois.
📺 O filme está disponível gratuitamente no streaming do @TelaBrasil. Uma ótima oportunidade para conhecer ou revisitar esse clássico fundamental da cultura brasileira.
🎥 Nos próximos dias, vou continuar explorando o catálogo do @TelaBrasil e trazendo mais indicações de filmes disponíveis na plataforma.
Michael e 2 Filhos de Francisco: duas histórias, uma reflexão
Assistindo a Michael, cinebiografia de Michael Jackson, é difícil não lembrar de 2 Filhos de Francisco. Guardadas todas as diferenças entre as histórias, os dois filmes mostram pais que apostaram tudo no talento dos filhos e fizeram da música um projeto de vida.
A comparação também levanta uma questão importante: até que ponto o incentivo ajuda a construir um artista e quando a pressão passa a cobrar um preço alto demais? No caso de Michael, os relatos sobre a relação com o pai são conhecidos e controversos. Já Francisco ficou marcado pela persistência e pelos sacrifícios para transformar o sonho dos filhos em realidade.
No fim, os dois filmes vão muito além do sucesso musical. São histórias sobre família, ambição, sacrifício e os bastidores, nem sempre visíveis, da construção de grandes estrelas.
🎥 Vale a pena assistir aos dois e pensar sobre o que existe por trás dos aplausos.
O Que É Isso, Companheiro? no Tela Brasil
Se você gosta de cinema brasileiro e de obras que ajudam a refletir sobre a história recente do país, vale muito a pena assistir O Que É Isso, Companheiro?. O filme é baseado no livro autobiográfico O Que É Isso, Companheiro?, de Fernando Gabeira, que relata experiências da luta contra a ditadura civil-militar brasileira.
A trama acompanha o sequestro do embaixador norte-americano em 1969 por grupos de resistência ao regime, explorando os dilemas políticos, éticos e humanos daquele período. Sem abrir mão da tensão dramática, o filme convida à reflexão sobre autoritarismo, democracia e memória.
O elenco é excelente, com destaque para Fernanda Torres, além de grandes nomes do cinema nacional. A direção de Bruno Barreto constrói uma narrativa envolvente e acessível, mesmo para quem não conhece profundamente o contexto histórico.
Uma ótima porta de entrada para quem deseja conhecer melhor esse capítulo da história brasileira — e, depois, mergulhar no livro que inspirou a adaptação.
O melhor: o filme está disponível gratuitamente na plataforma Tela Brasil.
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