Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
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quinta-feira, 4 de junho de 2026
Indicação de Leitura: A Elite do Atraso
Em A Elite do Atraso, o sociólogo Jessé Souza apresenta uma crítica contundente às interpretações tradicionais sobre a formação social brasileira. Contrapondo-se a leituras clássicas que atribuem nossos problemas à suposta corrupção cultural do povo ou ao patrimonialismo herdado da colonização, o autor sustenta que a desigualdade brasileira é resultado da ação histórica de elites econômicas e políticas que preservam privilégios e concentram poder.
O livro questiona explicações consideradas simplificadoras ou conservadoras sobre o Brasil, propondo uma análise centrada na exploração, na exclusão social e na reprodução das desigualdades. Concorde-se ou não com suas conclusões, trata-se de uma obra provocadora, capaz de estimular um debate profundo sobre democracia, cidadania e justiça social.
Para quem deseja compreender as disputas de interpretação sobre o país, A Elite do Atraso é uma leitura fundamental.
Outras obras importantes de Jessé Souza:
• A Ralé Brasileira
• A Classe Média no Espelho
• A Tolice da Inteligência Brasileira
• Como o Racismo Criou o Brasil
Uma leitura indispensável para quem busca compreender o Brasil para além dos clichês e das explicações fáceis.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Como o Brasil se deixa manipular pela elite
Falo do livro do professor Jessé Souza "A tolice da inteligência Brasileira ou como o país se deixa manipular pela elite". É muito bom. O livro trabalha com a desconstrução muito bem articulada da visão geral fundada em Freyre, Buarque e Faoro. A clareza dos argumentos corrói criativamente as mais de mil e quinhentas páginas de Casa Grande e Senzala, Raízes do Brasil e Os donos do poder, obras que até então eram sempre vistas como a verdade, como se dotadas de caráter sagrado. Jessé reconhece o valor das obras numa crítica profunda que atinge suas raízes, a sobrar pouco mais que o viés mitológico. O cerne é que a visão dos autores consagrados não é científica e se assemelha a uma forma de "racismo" (culturalismo), ao colocar-se sempre em posição de submissão ao modelo externo, além de atacar o Estado e defender o mercado, como se a corrupção se restringisse à esfera púbica e não fosse inerente ao capitalismo.
"Nos bolsos do 1% mais rico da população brasileira está o resultado do trabalho dos 99% restantes. E assim é há muito tempo, diante do olhar passivo de toa a população subjugada que quase nunca levanta a voz contra esse estado de coisas é porque a violência física que antes permitia um desigualdade tão grande e uma concentração de renda tão grotesca foi substituída no Brasil formalmente democrático de hoje, por uma espécie de violência simbólica, que se disfarça de convencimento pelo melhor argumento e isso se faz com o sequestro da inteligência brasileira."
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