Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
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quinta-feira, 4 de junho de 2026
PULP FICTION (1994) – Quando Tarantino reinventou a narrativa no cinema
Se você gosta de filmes que desafiam a forma tradicional de contar uma história, Pulp Fiction é uma experiência obrigatória. Dirigido por Quentin Tarantino, o filme entrelaça diferentes personagens e acontecimentos em uma narrativa fragmentada, na qual o tempo deixa de seguir uma ordem linear.
Criminosos, gângsteres, lutadores e pessoas comuns cruzam seus destinos em histórias que parecem independentes, mas que se conectam de maneira brilhante. O grande diferencial está justamente na manipulação do tempo: cenas que parecem finais se tornam recomeços, personagens retornam quando menos se espera e o espectador é convidado a montar o quebra-cabeça da trama.
Mais do que um exercício de estilo, Pulp Fiction questiona nossa própria percepção da narrativa. Ao romper a cronologia tradicional, Tarantino mostra que a forma de contar uma história pode ser tão importante quanto a história em si.
Com diálogos marcantes, humor ácido, violência estilizada e uma trilha sonora inesquecível, Pulp Fiction permanece uma das obras mais influentes do cinema contemporâneo, inspirando gerações de cineastas e provando que existem inúmeras maneiras de brincar com o tempo na arte.
Uma aula de narrativa, montagem e construção de personagens que continua tão moderna hoje quanto há mais de 30 anos.
terça-feira, 31 de março de 2020
O Irlandês (M. Scorsese, 2019): narrativas e tempo
Há
muitas maneiras de contar uma história. A mais comum é a linear,
começo, meio e fim, “the end”. Mas há filmes que fogem dos
modos mais fáceis de narrar, brincam com o tempo, e contam, de forma
original, os fatos, sem seguir a ordem cronológica: O Irlandês é
um deles.
No
mais recente longa de M. Scorsese, o espectador, inicialmente, é
levado, num plano sequência interessante, até o narrador, já idoso
e cheio de lembranças, que vai contar sua vida, como chegou até
ali. É aí que a narrativa dá um primeiro pulo ao passado (como se
voltasse ao “meio da história”), destacando uma viagem de carro
de dois casais para um casamento.
E,
ao falar dessa viagem ao casamento que é revisitada durante todo o
filme, o narrador fala sobre um passado mais distante, explicando
como ele se envolveu com as pessoas que mudaram sua vida, inclusive
(e principalmente) do cara que está viajando com ele para o tal
casório da filha de um dos personagens da trama.
O
mais interessante é que o filme começa no presente (idoso narrador
que se encontra numa espécie de casa de repouso), volta à viagem
dos casais, regride mais no tempo, falando das origens, e vai
intercalando, às vezes voltando ao presente, outras tratando do
“meio” (viagem ao casamento) e também narrando como se deu seu
envolvimento com certas pessoas e atividades - tudo isso num roteiro
incrível, que, lá na frente, mostra o que houve de relevante no
trajeto até a celebração do matrimônio.
O
senhor, “ex-pintor de paredes”, faz vários flashbacks e
flashforwards, indo, vindo, voltando e adiantando, até fechar a
história, de modo muito bem construído, encaixando-se
perfeitamente.
Outro
filme que merece destaque na manipulação do tempo é Pulp Fiction
(Q. Tarantino, 1994), em que a primeira cena é retomada no final,
depois de algumas
ramificações
envolvendo núcleos de personagens diferentes, mas que se interligam de alguma forma. Obra-prima que ganhou
o Oscar de melhor roteiro original. Ficam as indicações dos longas,
que além da originalidade narrativa, são filmes incríveis.
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