Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
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segunda-feira, 20 de julho de 2026
JORGE AMADO: O BRASIL CABE NA LITERATURA
Poucos escritores retrataram o Brasil com tanta força, humanidade e contradições quanto Jorge Amado. Em suas obras, o autor baiano deu voz aos trabalhadores, pescadores, prostitutas, migrantes e personagens que muitas vezes ficavam à margem da história oficial.
Seus romances misturam crítica social, humor, sensualidade e uma profunda observação das desigualdades brasileiras. Livros como Capitães da Areia, Gabriela, Cravo e Canela e Dona Flor e Seus Dois Maridos continuam atuais ao abordar pobreza, preconceito, exploração econômica e as transformações sociais do país.
Sua obra também gerou adaptações marcantes para o cinema e a televisão, como o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, o filme Capitães da Areia e a novela Gabriela, que ajudaram a apresentar suas histórias para novas gerações.
Mais do que contar histórias, Jorge Amado construiu um retrato do Brasil popular, mostrando suas injustiças, sua diversidade cultural e sua capacidade de resistência.
Indicação de leitura: Capitães da Areia é uma excelente porta de entrada para conhecer sua obra. Um romance emocionante e crítico sobre infância abandonada, exclusão social e esperança. Merecem destaque também a Morte e a morte de Quincas Berro D'água e Capitão de longo curso.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Quincas Berro Dágua
Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de Jorge Amado e especialmente de sua novela A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. Tenho inclusive duas edições dela: uma com um interessante prefácio do Vinicius de Moraes e outra na qual, além dessa novela, há ainda Capitão-de-longo-curso, outra deliciosa história do saudoso baiano.
Há algum tempo me avisaram que o livro ia virar filme; hoje, para minha surpresa e alegria, descobri que estréia amanhã no cinema. Sem dúvida, a trama já valeria a ida ao cinema; mas me aparece (apesar de não ter visto uma cena do filme - só vi o trailer depois de escrever) que há outros bons motivos para assistir à comédia: Paulo José "encarna" o morto mais vivo já visto nas ruas de Salvador e Marieta Severo, a sua amada.
Nas palavras do narrador, "Quincas [é] um recordista da morte, um campeão do falecimento", visto que morreu três vezes: a primeira morte foi moral (quando Quincas Berro Dágua se libertou do que restava do Sr. Joaquim Soares da Cunha); a segunda, a atestada pelo médico, pela manhã (defendida pela família como a verdadeira); e a terceira, a da noite, na qual Berro Dágua, "por livre e espontânea vontade," decidiu partir, dizendo (atenção às suas derradeiras palavras):
- "Me enterro como entender na hora que resolver. Podem guardar meu caixão pra melhor ocasião. Não vou me deixar prender em cova rasa no chão!"
Para os que acreditam que a morte é o fim, o filme é obrigatório. Talvez Quincas tenha "vivido" muito mais na sua última noite do que muita gente em toda a vida.
Há algum tempo me avisaram que o livro ia virar filme; hoje, para minha surpresa e alegria, descobri que estréia amanhã no cinema. Sem dúvida, a trama já valeria a ida ao cinema; mas me aparece (apesar de não ter visto uma cena do filme - só vi o trailer depois de escrever) que há outros bons motivos para assistir à comédia: Paulo José "encarna" o morto mais vivo já visto nas ruas de Salvador e Marieta Severo, a sua amada.
Nas palavras do narrador, "Quincas [é] um recordista da morte, um campeão do falecimento", visto que morreu três vezes: a primeira morte foi moral (quando Quincas Berro Dágua se libertou do que restava do Sr. Joaquim Soares da Cunha); a segunda, a atestada pelo médico, pela manhã (defendida pela família como a verdadeira); e a terceira, a da noite, na qual Berro Dágua, "por livre e espontânea vontade," decidiu partir, dizendo (atenção às suas derradeiras palavras):
- "Me enterro como entender na hora que resolver. Podem guardar meu caixão pra melhor ocasião. Não vou me deixar prender em cova rasa no chão!"
Para os que acreditam que a morte é o fim, o filme é obrigatório. Talvez Quincas tenha "vivido" muito mais na sua última noite do que muita gente em toda a vida.
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