Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
domingo, 12 de julho de 2026
Vingança ou justiça?
O Homem-Aranha e Scarface parecem habitar universos completamente diferentes. Um é um super-herói. O outro, um dos maiores criminosos do cinema. Mas ambos partem de um sentimento muito humano: a vingança.
Peter Parker aprende, depois da morte do Tio Ben, que a vingança não é justiça. O impulso de punir o culpado dá lugar à responsabilidade de proteger os outros. É essa escolha que faz dele um herói.
Tony Montana faz o caminho oposto. Em Scarface, toda afronta exige uma resposta violenta. Ele acredita que pode fazer justiça com as próprias mãos, impondo respeito pelo medo. Mas, quando a vingança vira modo de vida, ela deixa de ser justiça e passa a ser apenas mais violência.
Talvez essa seja a grande diferença entre os dois: Peter vence a própria sede de vingança. Tony se torna prisioneiro dela.
E uma curiosidade: o Scarface de Al Pacino (1983) é uma refilmagem do clássico de 1932. Na versão original, o grande negócio do crime organizado era o álcool, durante a Lei Seca. Décadas depois, a cocaína substituiu o álcool, mas a reflexão continua atual: quando a violência é tratada como justiça, o resultado costuma ser o mesmo.
No fim, as histórias fazem a mesma pergunta: até onde alguém pode ir em nome da justiça sem se transformar naquilo que dizia combater?
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