Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
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quinta-feira, 4 de junho de 2026
Albert Camus – O Estrangeiro
Um dos romances mais marcantes do século XX, O Estrangeiro acompanha Meursault, um homem que parece viver à margem das emoções socialmente esperadas. Logo no início, ele é julgado não apenas pelo crime que comete, mas sobretudo por não ter chorado no enterro da mãe — como se a ausência de dor fosse um crime maior do que o próprio ato.
A partir disso, Camus constrói uma narrativa seca, direta e desconcertante, que coloca em cena o absurdo da existência: a vida não oferece sentidos prontos, e o mundo não responde às nossas expectativas de justiça ou lógica moral. É aqui que o pensamento do existencialismo (e sobretudo do absurdo camusiano) aparece com força — o homem está sozinho diante de um universo indiferente.
Meursault não “representa” emoções: ele simplesmente é. E isso o torna insuportável para a sociedade que o julga.
A obra ganhou também adaptações importantes. No cinema, destaca-se Lo Straniero, com Marcello Mastroianni no papel principal, trazendo uma leitura mais visual desse silêncio existencial do personagem.
No teatro, O Estrangeiro também ganhou montagens relevantes, incluindo uma adaptação brasileira que reforça como a obra continua atual — sempre desconfortável, sempre provocadora.
Camus não oferece respostas. Ele expõe o incômodo de existir.
O Céu da Língua e Aos Pés da Letra. Gregorio Duvivier.
Se você ama a língua portuguesa, suas contradições, belezas e mistérios, vale a pena conhecer a peça O Céu da Língua e o livro Aos Pés da Letra, ambos de Gregorio Duvivier.
Na peça, Duvivier transforma a língua em protagonista. Com humor, poesia e reflexão, ele mostra como as palavras moldam nossa forma de pensar, sentir e enxergar o mundo. O espetáculo conquistou mais de 200 mil espectadores e se tornou uma verdadeira declaração de amor ao idioma.
Já em Aos Pés da Letra, nascido do mesmo processo criativo da peça, o autor amplia essa investigação sobre as palavras, suas origens, sons, ambiguidades e significados. Com erudição acessível e muito humor, o livro convida o leitor a redescobrir a língua portuguesa como um território vivo, surpreendente e cheio de histórias.
Em tempos de comunicação acelerada e superficial, a obra de Gregorio nos lembra que as palavras não são apenas instrumentos: elas constroem identidades, preservam memórias e dão forma à nossa experiência no mundo. Ler e assistir a essas obras é reaprender a olhar para aquilo que usamos todos os dias, mas raramente observamos com atenção.
Uma celebração da língua portuguesa para quem acredita que as palavras podem ser tão fascinantes quanto as histórias que contam.
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