quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Bacurau: um povo que se recusa a desaparecer

Lançado nos cinemas brasileiros em 29 de agosto de 2019, Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é um daqueles filmes que continuam conversando com o país muito depois da sessão. Entre o suspense e a crítica social, o longa mostra uma comunidade que, diante da ameaça, encontra na solidariedade e na organização coletiva a força para defender sua existência. Uma das grandes potências do filme está no lugar que ele dá às pessoas frequentemente tratadas como descartáveis. Os moradores têm memória, conhecimento, diferenças e capacidade de agir. A vulnerabilidade não lhes retira a voz. E a proteção nasce também do reconhecimento de que a vida do outro importa. É essa dimensão de Bacurau que me faz pensar na importância de eleger Lula neste segundo turno. Para mim, defender sua eleição significa defender uma direção política em que combater a fome, fortalecer a educação pública e proteger os mais vulneráveis sejam compromissos centrais. Uma democracia precisa alcançar a vida concreta de quem depende dos serviços públicos e de quem historicamente teve seus direitos negados. As manifestações dos estudantes da UFF, que ocuparam as ruas de Niterói nos dias 5 e 6 de outubro em apoio a Lula, mostram essa capacidade de mobilização. A juventude se organiza, sai da universidade e participa da disputa pelo futuro do país. A aproximação com o filme está nesse sentimento de responsabilidade coletiva. Na vida democrática, ele se traduz em debate, manifestação pacífica, solidariedade e voto. Bacurau nos lembra que um povo pode reconhecer sua força quando deixa de enfrentar sozinho aquilo que ameaça a todos. Proteger os mais vulneráveis e construir um futuro comum exige justamente isso: gente disposta a se mover.

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