Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
José Saramago entre cegueira e lucidez
Dois livros de José Saramago para pensar o Brasil: Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez.
No primeiro, uma epidemia de cegueira branca expõe a violência, o egoísmo e a fragilidade da vida em sociedade — mas também a possibilidade de solidariedade. No segundo, uma votação maciça em branco provoca uma reação autoritária do governo, que passa a tratar a população como inimiga.
Minha leitura aproxima essas histórias da ascensão da extrema-direita no Brasil: a indiferença diante do sofrimento, o medo transformado em instrumento político e a transformação de quem discorda em inimigo a ser eliminado.
Saramago nos ajuda a perguntar o que acontece com a democracia quando a crueldade se torna aceitável e o pensamento crítico vira ameaça.
Duas leituras que recomendo para manter os olhos abertos — sobretudo para o outro.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário