Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
quinta-feira, 4 de junho de 2026
A Hora da Estrela. Clarice Lispector, 1977.
Publicado em 1977, o último romance de Clarice Lispector é uma das obras mais impactantes da literatura brasileira. A história acompanha Macabéa, uma jovem nordestina pobre e invisibilizada pela sociedade, que tenta sobreviver em uma grande cidade sem compreender plenamente a violência simbólica e material que a cerca.
Em 1985, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Suzana Amaral, considerada um clássico do cinema nacional. A interpretação de Marcélia Cartaxo transformou Macabéa em uma das personagens mais marcantes das telas brasileiras, rendendo reconhecimento internacional ao filme.
Mais do que a trajetória de uma personagem, A Hora da Estrela é uma denúncia da desigualdade social brasileira. Clarice nos obriga a olhar para aqueles que costumam ser ignorados: os pobres, os migrantes, os invisíveis. A escrita aparentemente simples esconde uma reflexão profunda sobre identidade, exclusão e humanidade.
Uma obra que continua atual e necessária. Ler o livro e assistir ao filme é encarar uma pergunta desconfortável: quantas Macabéas ainda passam despercebidas todos os dias?
Livro: 1977
Filme: 1985
Uma das leituras mais importantes da literatura brasileira e uma adaptação à altura de seu legado.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário