Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
domingo, 7 de junho de 2026
Indicação de leitura: Visita Cruel do Tempo, de Jennifer Egan
Poucos livros conseguem falar sobre o tempo de forma tão original quanto Visita Cruel do Tempo. Vencedor do Prêmio Pulitzer, o romance de Jennifer Egan reúne personagens cujas histórias se cruzam ao longo dos anos, formando um mosaico fascinante sobre memória, envelhecimento, escolhas, perdas e transformações.
A narrativa é construída por múltiplas vozes e pontos de vista, em capítulos que parecem independentes, mas que aos poucos revelam conexões surpreendentes. É uma leitura que desafia o leitor, exigindo atenção e entrega, mas que recompensa com uma experiência literária rica e inesquecível.
A música está no coração da obra. Entre produtores, músicos, fãs e sonhadores, o livro mergulha no universo do rock, da cultura pop e dos excessos, explorando temas como arte, fama, amizade e identidade. Em certo sentido, é um romance sobre sexo, drogas, rock and roll e literatura, mas também sobre aquilo que o tempo leva — e aquilo que ele deixa para trás.
Uma obra inventiva, emocionante e profundamente humana. Recomendada para quem gosta de narrativas ousadas e de livros que permanecem ecoando muito depois da última página.
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