Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex
Poucos livros me causaram tanto impacto quanto Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex.
A obra reconstrói a história do Hospital Colônia de Barbacena, instituição psiquiátrica onde milhares de pessoas morreram em condições desumanas ao longo do século XX. O mais chocante é perceber que muitas das vítimas sequer tinham transtornos mentais: eram mulheres consideradas "inconvenientes", pessoas pobres, homossexuais, alcoólatras, órfãos e tantos outros que simplesmente não se encaixavam nos padrões da época.
Com uma pesquisa rigorosa e relatos devastadores, Daniela Arbex revela uma das páginas mais sombrias da história brasileira. É uma leitura dura, triste e muitas vezes revoltante, mas também necessária. Um livro que nos obriga a refletir sobre dignidade humana, exclusão social, preconceito e memória.
Li o livro e recomendo fortemente. É daqueles trabalhos jornalísticos que permanecem com o leitor muito tempo depois da última página.
A obra também ganhou um documentário homônimo, disponível na Netflix. Ainda não assisti à adaptação, então não posso indicá-la com a mesma convicção com que indico o livro. Mas fica a sugestão para quem quiser conhecer essa história também em formato audiovisual.
Uma leitura dolorosa, profunda e indispensável para entender um dos capítulos mais vergonhosos da história brasileira, ainda mais em tempos de luta antimanicomial.
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