Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Solitária. Eliana Alves Cruz, 2022.
O romance Solitária, de Eliana Alves Cruz, é uma das obras mais contundentes da literatura brasileira recente. A partir da história de Eunice e Mabel, mãe e filha que vivem em um quarto de empregada dentro de um condomínio de luxo, a autora expõe as permanências da lógica escravocrata nas relações de trabalho e nas desigualdades sociais do Brasil.
Mais do que um romance sobre racismo e trabalho doméstico, Solitária provoca reflexões sobre mobilidade social, privilégios e o debate das ações afirmativas. A obra mostra como o acesso à educação e às cotas raciais pode representar uma ruptura com estruturas históricas de exclusão, ao mesmo tempo em que revela as resistências que esse processo desperta.
Com escrita direta e envolvente, Eliana Alves Cruz constrói uma crítica poderosa às hierarquias de classe e raça que ainda moldam a sociedade brasileira. Um livro necessário para compreender que a abolição da escravidão não encerrou as desigualdades que dela se originaram.
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