Ecos, porque se trata da ressonância que certos fatos ou obras de arte produzem em mim, embora o som que devolvo ao mundo nunca seja mera repetição do que entrou (isso sem falar na ninfa); prosaicos, pelos dois sentidos do termo: pela forma de prosa e por ser corriqueiro, vulgar. Afinal, quem é a prosa para falar da poesia?
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Torcer?
Depois de assistir ao filme O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, ouvir o podcast da Rádio Novelo Na Arquibancada (incrível) e ver a série Brasil 70 – A Saga do Tri, fiquei pensando: torcer ou não torcer?
Em 1970, o futebol mais bonito do mundo convivia com censura, perseguição política e exílio. A ditadura tentava se apropriar da conquista da seleção enquanto a Guerra Fria e a influência dos EUA marcavam a política latino-americana.
Em 2026, o debate continua. Torcedores iranianos tiveram problemas para acompanhar sua seleção nos Estados Unidos e até um árbitro somali escalado para a Copa teve a entrada no país negada. Isso só para dar alguns exemplos. Há mais atitudes absurdas dos EUA de Trump.
É complicado dar audiência para um evento com tantas questões políticas por trás, ainda que os EUA não sejam os únicos anfitriões da Copa 2026.
No podcast da Rádio Novelo vemos que mesmo com a ditadura se valendo do sucesso da seleção de 1970, exilados torceram pelo time. A racionalidade não conseguiu vencer a memória afetiva.
Talvez a pergunta não seja torcer ou não torcer. Talvez seja celebrar o futebol sem esquecer o contexto político que o cerca.
A copa passa. A história fica.
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